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Artigos de O Folículo · 1 de agosto de 2024 · 13 min de leitura

Frequência de efeitos colaterais do minoxidil em doses baixas homens com Alopecia Androgenética

A queda de cabelo tem um impacto psicológico e emocional nos pacientes afetados, interferindo com a sua autoestima, autoconfiança e autoimagem. Para além disso, é uma das queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos no que diz respeito ao cabelo.

Frequência de efeitos colaterais do minoxidil em doses baixas homens com Alopecia Androgenética

 

Dra. Leila Bloch

 

Introdução

A queda de cabelo tem um impacto psicológico e emocional nos pacientes afetados, interferindo com a sua autoestima, autoconfiança e autoimagem. Para além disso, é uma das queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos no que diz respeito ao cabelo.

A alopecia androgenética e o eflúvio telógeno são as causas mais comuns de queda de cabelo em pacientes de ambos os sexos. A alopecia androgenética é uma doença androgênio-dependente, caracterizada pela miniaturização dos folículos, com um encurtamento da fase anágena e um aumento da fase telógena no ciclo de desenvolvimento do cabelo [1-3]. 

O eflúvio telógeno é caracterizado por um aumento do número de cabelos na fase telógena e o número de cabelos perdidos diariamente, podendo estar associado a vários fatores (tais como fatores emocionais, dieta, etc.) [3-4].

A indústria farmacêutica procura cada vez mais desenvolver novas terapias capilares para tratar os doentes que sofrem de queda de cabelo, o que torna necessária a investigação para avaliar a sua segurança e eficácia, para oferecer opções cada vez melhores aos pacientes, melhorando a sua qualidade de vida.

Um dos tratamentos amplamente utilizados para a queda de cabelo é o Minoxidil, que pode ser administrado por via oral ou tópica. O minoxidil tópico, apesar de ser muito eficaz, tem a limitação da baixa.

A baixa adesão ao tratamento por parte de muitos pacientes devido às características da formulação, custo e efeitos colaterais (como prurido, descamação e hipertricose). Nos últimos anos, o Minoxidil oral em baixa dosagem tem se mostrado uma alternativa para pacientes com alopecia [5].

O Minoxidil é um vasodilatador que reduz a pressão arterial (sistólica e diastólica) e foi inicialmente utilizado contra a hipertensão recalcitrante. Foi associado a efeitos secundários relacionados com a dose, tais como edema periférico, insuficiência cardíaca congestiva, edema pulmonar e hipertricose. No entanto, a dose diária habitual administrada à hipertensão é mais elevada, cerca de 10 a 40 mg. Por conseguinte, a utilização de uma dose baixa de Minoxidil oral para a queda de cabelo pode ultrapassar esta limitação [5].

Vaño-Galván e colaboradores (2021) também avaliaram recentemente a segurança do minoxidil oral de baixa dose para a queda de cabelo num estudo retrospectivo multicêntrico com 1404 pacientes, e afirmaram que apresentou um bom perfil de segurança, com efeitos adversos sistémicos pouco frequentes e elevada adesão ao tratamento [6]. Foi avaliada a frequência e os tipos de efeitos observados em ambos pacientes do sexo masculino e feminino, com diferentes causas de queda de cabelo, em 6 países diferentes (Austrália, Brasil, Itália, Polónia, Espanha e Estados Unidos).

Nesta investigação, o nosso objetivo foi avaliar a frequência e o momento do aparecimento de efeitos secundários relacionados com a terapêutica com Minoxidil oral em pacientes que sofrem de queda de cabelo, tratados numa clínica dermatológica privada de restauração capilar em São Paulo, Brasil, compilando dados de avaliações dermatológicas em consultas obtidas de seus prontuários.

Métodos

Na nossa investigação, selecionamos 100 pacientes do sexo masculino com alopecia androgenética que iniciavam tratamento com minoxidil oral de baixa dose para observar a incidência e a frequência de efeitos colaterais entre 2020 e 2022 em uma clínica particular de restauração capilar em São Paulo, Brasil. Todos os pacientes deram o seu consentimento informado antes da seleção. 

Os critérios de inclusão foram: pacientes do sexo masculino maiores de 18 anos que foram atendidos na clínica com queixa principal de alopecia androgenética. Todos os pacientes assinaram o TCLE. 

Os critérios de exclusão foram: pacientes do sexo feminino e pacientes menores de 18 anos de idade.

Desenho do estudo: o nosso estudo foi um estudo prospectivo de coorte. Os dados obtidos foram compilados para verificar os efeitos secundários observados ao longo do tratamento para determinar seus sintomas, incidência, momento de aparecimento e frequência de ocorrência (Porcentagem de pacientes com cada sintoma). Os dados foram avaliados para análise de frequência. Os efeitos colaterais esperados a serem observados incluem Hipertricose, taquicardia, vertigem, insônia, entre outros. 

Resultados e Discussão

Foram avaliados prontuários de 100 pacientes do sexo masculino no Brasil, que deram seu consentimento informado concordando em ter seus dados analisados para esta pesquisa. Todos os 100 pacientes do sexo masculino foram tratados com minoxidil oral em dose baixa durante pelo menos 6 meses para a queda de cabelo.  Entre todos os pacientes, 10% tinham sido tratados com monoterapia de Minoxidil oral, enquanto 90% tinham sido submetidos a uma terapia combinada, quer com Finasterida (58%), Dutasterida (26%) ou Serenoa Serrulata (6%).

Os pacientes selecionados tinham idades compreendidas entre os 23 e os 65 anos (mediana = 43 anos), e as doses de minoxidil oral administradas foram 0,5 mg (1% dos pacientes), 1,0 mg (47% dos pacientes), 2,0 mg (35% dos doentes), 2,5 mg (13% dos doentes), 3,5 mg (1% dos doentes) e 5,0 mg (3% dos doentes). Os sintomas de efeitos secundários observados foram hipertricose corporal; hipertricose facial, edema da parte inferior das pernas, edema periorbital, fadiga, tonturas, taquicardia, hipotensão, insônia, alterações respiratórias (derrame pleural) e diarreia. A frequência de aparecimento dos sintomas nos doentes está detalhada na Figura 1.

Figura 1

Podemos observar que 32% dos pacientes apresentaram pelo menos um sintoma de efeito colateral entre 6 dias e 4 meses, conforme apresentado na Figura 2. A maioria dos pacientes teve seus sintomas iniciados após 3 meses de tratamento. Embora o número de pacientes sintomáticos corresponda a 1/3 do total de pacientes, a maioria deles apresentou apenas um sintoma de efeito adverso ao longo do tratamento.

 

Figura 2

Alguns efeitos secundários típicos da terapêutica com minoxidil oral não foram observados em nenhum paciente -tonturas, hipotensão, alterações respiratórias e diarreia. Alguns sintomas tiveram uma incidência muito baixa, afetando entre 1 e 4% dos pacientes - edema da parte inferior das pernas e periorbital, fadiga, taquicardia e insônia. Os sintomas mais prevalentes observados foram os corporais (17%) e hipertricose facial (11%). Esta constatação corroborou os resultados de Vaño-Galván e colegas (2021), que também consideraram a hipertricose como o efeito adverso mais comum do Minoxidil oral [6]. Panchaprateep e Lueangarun (2020) também estudaram a segurança e a eficácia do minoxidil oral em pacientes do sexo masculino com alopecia androgenética em uma dose mais elevada - 5 mg - e verificou que a hipertricose era um efeito secundário comum, afetando 93% dos pacientes nas condições do ensaio clínico. É provável que tenham encontrado maior percentagem de pacientes com este sintoma devido à dose mais elevada de minoxidil oral administrada [7].

Entre as doses orais de Minoxidil administradas na nossa investigação, as mais prevalentes foram 1,0 mg (45% dos pacientes), 2,0 mg (35% dos pacientes) e 2,5 mg (13% dos pacientes). Considerando a incidência geral de efeitos colaterais para cada dose, pudemos observar que:

  • Entre os 47 pacientes que tomaram 1,0 mg de Minoxidil oral, 17 pacientes (36%) apresentaram um ou mais efeitos secundários.
  • Entre os 35 pacientes que tomaram 2,0 mg de Minoxidil oral, 4 pacientes (12%) registaram um ou mais efeitos secundários.
  • Entre os 13 pacientes que tomaram 2,5 mg de Minoxidil oral, 5 pacientes (39%) registaram um ou mais efeitos secundários.

Pudemos observar que a dose mais alta (2,5 mg) promoveu maior incidência de efeitos colaterais em relação às demais, o que era esperado. Entretanto, um número maior de participantes tratados com a mesma dose deveria ser avaliado para permitir conclusões mais precisas. Por outro lado, ao comparar pacientes que tomaram 1,0 mg com 2,0 mg, a porcentagem de doentes com efeitos secundários foi superior para a dose mais baixa, o que era inesperado. A Tabela 1 detalha a quantidade de pacientes que relataram dois ou mais efeitos colaterais. Devem ser efetuados mais estudos para compreender melhor a dose mais segura de minoxidil oral.

Conclusão

A terapia com minoxidil oral em baixa dose para queda de cabelo mostrou um perfil de segurança favorável em nossa pesquisa, sendo a hipertricose o efeito colateral mais frequente observado. Os sintomas sistémicos revelaram-se pouco frequentes e alguns deles ausentes durante o tratamento, e a maioria dos sintomas apareceu apenas após 3 meses de tratamento. 


English version

Frequency of side effects of minoxidil in low doses in men with Androgenetic Alopecia

Frequency of side effects of minoxidil in low doses in men with Androgenetic Alopecia 

Dr. Leila Bloch
 

Introduction

Hair loss has a psychological and emotional impact on affected patients, interfering with their self-esteem, confidence, and image. Furthermore, it is one of the most frequent complaints in dermatological offices regarding hair.

Androgenetic alopecia and telogen effluvium are the most common causes of hair loss in patients of both sexes. Androgenetic alopecia is an androgen-dependent disease characterized by the miniaturization of follicles, with a shortening of the anagen phase and an increase in the telogen phase in the hair development cycle [1-3]. 

Telogen effluvium is characterized increasing number of hairs in the telogen phase, and the number of hairs lost daily, and may be associated with several factors (such as emotional factors, diet, etc.) [3-4].

The pharmaceutical industry is increasingly seeking to develop new hair therapies to treat patients suffering from hair loss, which makes research necessary to assess their safety and effectiveness, to offer increasingly better options to patients, improving their quality of life. life.

Minoxidil is one of the widely used treatments for hair loss, and it can be administered orally or topically. Despite being highly effective, topical minoxidil has limitations.

Many patients have low adherence to treatment due to the characteristics of the formulation, cost, and side effects (such as itching, peeling and hypertrichosis). In recent years, low-dose oral Minoxidil has been shown to be an alternative for patients with alopecia [5].

Minoxidil is a vasodilator that reduces blood pressure (systolic and diastolic) and was initially used against recalcitrant hypertension. It has been associated with dose-related side effects such as peripheral edema, congestive heart failure, pulmonary edema, and hypertrichosis. However, the usual daily dose administered for hypertension is higher, about 10 to 40 mg. Therefore, using a low dose of oral Minoxidil for hair loss can overcome this limitation [5].


Vaño-Galván and colleagues (2021) also recently evaluated the safety of low-dose oral minoxidil for hair loss in a multicenter retrospective study with 1404 patients, and stated that it presented a good safety profile, with infrequent systemic adverse effects and high adherence to treatment [6]. The frequency and types of effects observed in both male and female patients, with different causes of hair loss, in six different countries (Australia, Brazil, Italy, Poland, Spain and the United States) were evaluated.

In this investigation, we aimed at evaluating the frequency and timing of the appearance of side effects related to oral Minoxidil therapy in patients suffering from hair loss, treated in a private dermatological hair restoration clinic in São Paulo, Brazil, compiling data dermatological evaluations in consultations obtained from their medical records.



Methods

In our investigation, we selected 100 male patients with androgenetic alopecia who were starting treatment with low-dose oral minoxidil to observe the incidence and frequency of side effects between 2020 and 2022 in a private hair restoration clinic in São Paulo, Brazil.

All patients gave their informed consent before selection. 

The inclusion criteria were male patients over 18 years old who were seen at the clinic with a main complaint of androgenetic alopecia. All patients signed the informed consent form. 

Exclusion criteria were female patients and patients under 18 years old.

Study design: Our study was a prospective cohort study. The data obtained was compiled to verify the side effects observed throughout the treatment to determine their symptoms, incidence, moment of appearance and frequency of occurrence (Percentage of patients with each symptom). The data was evaluated for frequency analysis. Expected side effects to be observed include Hypertrichosis, tachycardia, dizziness, insomnia, among others.

 

Results and discussion

The medical records of 100 male patients in Brazil were evaluated, who gave their informed consent and agreed to have their data analyzed for this research. All 100 male patients were treated with low-dose oral minoxidil for at least six months for hair loss. Among all patients, 10% had been treated with oral Minoxidil monotherapy, while 90% had undergone combination therapy with either Finasteride (58%), Dutasteride (26%) or Serenoa Serrulata (6%).

The selected patients were between 23 and 65 years old (median = 43 years), and the doses of oral minoxidil administered were 0.5 mg (1% of patients), 1.0 mg (47%), 2.0 mg (35%), 2.5 mg (13%), 3.5 mg (1%) and 5.0 mg (3%). Side effect symptoms observed were corporal hypertrichosis; facial hypertrichosis, edema of the lower legs, periorbital edema, fatigue, dizziness, tachycardia, hypotension, insomnia, respiratory changes (pleural effusion) and diarrhea. The frequency of appearance of symptoms in patients is detailed in Figure 1.

Figure 1

We can observe that 32% of patients presented at least one side effect symptom between six days and four months, as shown in Figure 2. Most patients had their symptoms start after three months of treatment. Although the number of symptomatic patients corresponds to 1/3 of the total number of patients, many of them presented only one symptom of an adverse effect throughout the treatment.

 

Figure 2

Some typical side effects of oral minoxidil therapy were not observed in any patient - dizziness, hypotension, respiratory changes, and diarrhea. Some symptoms had an exceptionally low incidence, affecting between 1 and 4% of patients - lower leg and periorbital edema, fatigue, tachycardia, and insomnia. The most prevalent symptoms observed were bodily symptoms (17%) and facial hypertrichosis (11%). This finding corroborated the results of Vaño-Galván and colleagues (2021), who also considered hypertrichosis as the most common adverse effect of oral Minoxidil [6]. Panchaprateep and Lueangarun (2020) also studied the safety and efficacy of oral minoxidil in male patients with androgenetic alopecia at a higher dose - 5 mg - and found that hypertrichosis was a common side effect, affecting 93% of patients in clinical trial conditions. It is likely that they found a higher percentage of patients with this symptom due to the higher dose of oral minoxidil administered [7].

Among the oral doses of Minoxidil administered in our investigation, the most prevalent were 1.0 mg (45% of patients), 2.0 mg (35%) and 2.5 mg (13%). Considering the general incidence of side effects for each dose, we were able to observe that:

  • Among the 47 patients who took 1.0 mg oral Minoxidil, 17 patients (36%) experienced one or more side effects.
  • Among the 35 patients who took 2.0 mg of oral Minoxidil, 4 patients (12%) experienced one or more side effects.
  • Among the 13 patients who took 2.5 mg of oral Minoxidil, 5 patients (39%) experienced one or more side effects.

We observed that the highest dose (2.5 mg) caused a higher incidence of side effects compared to the others, which was expected. However, a larger number of participants treated with the same dose should be evaluated to allow more precise conclusions. On the other hand, when comparing patients who took 1.0 mg with 2.0 mg, the percentage of patients with side effects was higher for the lower dose, which was unexpected. Table 1 details the number of patients who reported two or more side effects. More studies should be carried out to better understand the safest dose of oral minoxidil.


Conclusion

Low-dose oral minoxidil therapy for hair loss has shown a favorable safety profile in our research, with hypertrichosis being the most frequently observed side effect. Systemic symptoms were infrequent and some of them were absent during treatment, and most symptoms only appeared after three months of treatment.