Publicado em outubro de 2023 na Dermatologic Surgery
Por Dra. Luísa Groba Bandeira
A técnica FUE é amplamente escolhida por homens que preferem manter um estilo de cabeça raspada ou um corte curto. No entanto, para indivíduos com cabelo enrolado, o transplante capilar pode ser um desafio. Muitas vezes, são utilizados punches maiores nesses pacientes ou eles são submetidos ao método FUT, ambos resultando em incisões maiores e, consequentemente, cicatrizes mais visíveis. Essa preocupação é particularmente significativa em pessoas de ascendência africana, que têm maior propensão a desenvolver cicatrizes anormais.
A taxa de perda de enxertos na cirurgia FUE pode variar em diferentes partes da cabeça de um mesmo indivíduo, e a dificuldade não necessariamente se correlaciona com o tipo do cabelo. A espessura e firmeza da pele podem desempenhar papéis críticos nos resultados da FUE. Portanto, são necessárias técnicas de FUE que considerem as propriedades do cabelo e da pele para limitar resultados negativos em indivíduos de ascendência africana.
Os autores conduziram uma análise retrospectiva de dados de FUE de pacientes de ascendência africana em centros multinacionais nos Estados Unidos, África do Sul, México, Índia, Colômbia e Brasil. No estudo, utilizaram um dispositivo de FUE responsivo à pele, denominado Dr. UGraft Zeus FUE.
Esse dispositivo possui predefinições para três categorias de pele – Pele espessa e dura, pele de espessura e firmeza média e pele fina e macia (figura 1). Cada uma das três predefinições foi calibrada para um conjunto de configurações de força, velocidades de rotação por minuto e configurações para três tipos diferentes de movimentos com durações variáveis, que incluíam uma combinação de rotação contínua no sentido horário, oscilação de alta amplitude e oscilações de baixa amplitude.
A força rotacional do punch varia de 1 a 15 no painel. Isso afeta a capacidade de penetração do punch e é ajustado de acordo com a espessura e firmeza da pele. A quantidade de UForce necessária para penetrar na pele e liberar o enxerto é proporcional ao grau de espessura e firmeza da pele. A velocidade de rotação angular do punch - em rotações por minuto (RPM) - influencia a velocidade e a profundidade de penetração do punch na pele.
Nesse estudo, também foi utilizado o Intelligent Punch. O design dele foi otimizado para proporcionar os benefícios do alargamento sem aumentar o diâmetro da ponta. A extremidade cortante do punch alargada direciona as bordas da ponta para longe do eixo do enxerto. Além disso, acomoda a parte angulada do fio dentro do lúmen do punch, evitando o contato com a ponta de corte do punch. E cria um ângulo favorável entre a epiderme e a borda da ferida, favorecendo a cicatrização.
Dos sete cirurgiões participantes desse estudo, seis tinham experiência de pelo menos 5 anos, e um tinha experiência de 1 ano em cirurgias FUE. Os dados do autor principal e desenvolvedor da tecnologia foram excluídos para minimizar o viés. Todos os pacientes das sete clínicas de ascendência africana que passaram por cirurgias FUE apenas no couro cabeludo com mais de 125 enxertos entre 1º de dezembro de 2020 e 15 de dezembro de 2022 foram incluídos no estudo. A escala de pontuação Sanusi FUE (SFS) foi utilizada para avaliar o nível esperado de dificuldade.
Sessenta e quatro pacientes de ascendência africana (idade média, 40,5 anos) foram submetidos à FUE. Todos os praticantes de FUE na presente investigação utilizaram tamanhos de punch de 18 G ou 19 G, sendo o tamanho de 18 G a escolha mais comum. Em 26 pacientes, ainda era cedo para avaliar a satisfação. Após um acompanhamento mínimo de 6 meses, 34 de 38 pacientes (89%) estavam "muito satisfeitos", enquanto 11% classificaram seu resultado como "satisfatório".
A taxa de transecção (TR) máxima observada antes de usar a nova técnica de FUE variava de 6% a 80% entre os provedores do estudo. Todos, exceto um, relataram uma redução de mais de 50% no TR após a mudança para o dispositivo responsivo à pele. A disposição para realizar FUE em pacientes de ascendência africana mudou de um valor médio de 2,58 antes para 4,83 após o uso do SRFD.
As TR foram baixas, com uma média de TR mais alta de 6% e uma faixa de 0% a 15%, comparando favoravelmente com estudos anteriores em outras etnias. A força foi uma configuração crucial, e mulheres tiveram resultados ótimos com forças mais baixas.O estudo sugeriu que a FUE pode ser realizada em pacientes de ascendência africana sem a necessidade de aumentar o tamanho do punch. A pele e o tipo de cabelo influenciaram as TR. As TR foram influenciadas principalmente pelo tipo de pele e, em menor grau, pelo tipo de cabelo.
Dra. Luísa Groba Bandeira é médica dermatologista pelo IAMSPE-SP, especialista em doenças do couro cabeludo e cabelos pelo HSPM-SP, atua na área de transplante capilar há 5 anos e atualmente atende na Clínica Wells, em São Paulo/SP.
English version
Follicular unit extraction in patients of African descent: a skin-sensitive technique
Published in October 2023, on Dermatologic Surgery
By Dr. Luísa Groba Bandeira
The FUE technique is widely chosen by men who prefer to maintain a shaved head style or a short cut. However, for curly-haired individuals, hair transplantation can be challenging. Larger punches are often used in these patients, or they undergo the FUT method, both resulting in larger incisions and, consequently, more visible scars. This is particularly significant in people of African descent, who are more likely to develop abnormal scars.
The graft loss rate in FUE surgery can vary in different parts of the head, and the difficulty does not necessarily correlate with hair type. Skin thickness and firmness can play critical roles in FUE outcomes. Therefore, FUE techniques that consider hair and skin properties are needed to limit negative outcomes in individuals of African descent.
The authors carried out a retrospective analysis of FUE data from patients of African descent at multinational centers in the United States, South Africa, Mexico, India, Colombia, and Brazil. In this study, they used a skin-responsive FUE device called Dr. UGraft Zeus FUE.
This device has presets for three skin categories – Thick and hard skin, medium thickness and firm skin, and thin and soft skin (figure 1). Each of the three presets was calibrated to a set of force settings, rotational speeds per minute, and settings for three different types of movements with varying durations, which included a combination of continuous clockwise rotation, high-amplitude oscillation, and low amplitude.
The rotational force of the punch varies from 1 to 15 on the panel. This affects the penetration ability of the punch, and it is adjusted according to the thickness and firmness of the skin. The UForce required to penetrate the skin and release the graft is proportional to its thickness and firmness. The angular rotation speed of the punch - in revolutions per minute (RPM) - influences its speed and depth of penetration into the skin.
In this study, Intelligent Punch was also used. Its design has been optimized to provide the benefits of flare without increasing tip diameter. The enlarged cutting edge of the punch directs the tip edges away from the graft axis. Furthermore, it accommodates the angled part of the wire inside the punch lumen, avoiding contact with the cutting tip of the punch. And it creates a favorable angle between the epidermis and the wound edge, favoring healing.
Of the seven surgeons participating in this study, six had at least five years of experience, and one had one year of experience in FUE surgeries. Data from the lead author and technology developer were excluded to minimize bias. All patients from the seven clinics of African descent who underwent scalp-only FUE surgeries with more than 125 grafts between December 1, 2020, and December 15, 2022, were included in the study. The Sanusi FUE scoring scale (SFS) was used to assess the expected level of difficulty.
Sixty-four patients of African descent (mean age, 40.5 years) underwent FUE. All FUE practitioners in the present investigation used punch sizes of 18G or 19G, with the 18G size being the most common choice. In 26 patients, it was still too early to assess satisfaction. After a minimum follow-up of six months, 34 of 38 patients (89%) were "very satisfied", while 11% rated their result as "satisfactory".
The maximum transection rate (TR) observed before using the new FUE technique ranged from 6% to 80% among study providers. All but one reported a greater than 50% reduction in TR after switching to the skin-responsive device. Willingness to perform FUE in patients of African descent changed from a mean value of 2.58 before to 4.83 after using the SRFD.
TRs were low, with a mean highest TR of 6% and a range of 0% to 15%, comparing favorably with previous studies in other ethnicities. Strength was a crucial setting, and women had optimal results with lower strengths. The study suggested that FUE can be performed on patients of African descent without needing to increase punch size. Skin and hair type influenced TR. TRs were mainly influenced by skin type and, to a lesser extent, by hair type.
Dr. Luísa Groba Bandeira is a dermatologist from IAMSPE-SP, specialist in scalp and hair diseases from HSPM-SP, has worked in the field of hair transplantation for five years and currently works at Clínica Wells, in São Paulo/SP.


