Análise crítica do livro “Avaliação Crítica do Tratado Internacional de Transplante Capilar”
Dr. Mauro Speranzini
Ex-presidente da ABCRC
Cirurgião plástico
CRM 59742 | RQE 13000
Recebi com satisfação o convite para realizar a análise crítica do livro “Tratado Internacional de Transplante Capilar”, de autoria de Gustavo Martins e Claudia Cherin. A obra conta com a colaboração de cinquenta e dois autores brasileiros e sete autores estrangeiros, alguns dos quais contribuíram com mais de um capítulo, conferindo ao trabalho uma perspectiva multidisciplinar e internacional.
Li cuidadosamente todos os capítulos, e fiz anotações detalhadas acerca de aspectos que considerei relevantes do ponto de vista científico e técnico. Ao longo do texto, apresento observações pessoais e outras baseadas na literatura especializada, as quais foram destacadas em vermelho para facilitar sua identificação.
Não foram incluídos comentários relativos à Parte II (Tricologia), bem como aos capítulos que abordam sedação oral e endovenosa e aspectos jurídicos da prática médica. Embora possua conhecimento básico nesses assuntos, entendo que minha experiência específica nessas áreas não é suficiente para uma análise crítica aprofundada.
De modo geral, minha impressão é a de que se trata de uma obra de grande relevância para a área de transplante capilar, constituindo uma contribuição significativa para a literatura da especialidade. Observa-se que diversos autores demonstram sólida fundamentação bibliográfica e aprofundamento no tema, apresentando não apenas opiniões individuais, mas também uma síntese do conhecimento consolidado por referências importantes da área.
Capítulo 1. Os Quarenta Passos da Excisão Folicular. Mauro Speranzini. Leitura obrigatória.
Classicamente os livros médicos começam com uma sequência de capítulos de assuntos básicos, como anatomia, fisiologia, etc. Os autores inovaram: o primeiro Capítulo é de minha autoria, com a Dra. Cristina Nakano como coautora. Longe de ser um assunto básico, o capítulo reúne muitas informações, básicas e avançadas, do passo a passo para uma das etapas mais importantes do transplante capilar. Sua importância é demonstrada por ter sido escolhida a matéria de capa da Revista Forum International em 2021, e ter sido agraciada com o prêmio O’Tar Norwood de melhor trabalho em cirurgia capilar daquele ano. Também foi publicado no livro "Hair Transplant 360” (Sam Lam) e no livro brasileiro “Cirurgia do Cabelo - Ciência, Arte e Técnica” - de Carlos Leão e Fernando Basto. Da primeira publicação para esta a única diferença foi incluir um passo que recomenda que o cirurgião fique alinhado com a direção do fio de cabelo; e mesclar dois passos num único: a centralização do punch anteroposterior e látero-lateral.
Capítulo 2. Controle de Qualidade dos Enxertos. Claudia Cherin. Leitura obrigatória.
A autora relaciona alguns importantes trabalhos. Destaque para: Pontuação GQI (de Robert True); a classificação de Park sobre os tipos de traumas e erros na extração folicular; o trabalho de Marcelo Gandelman sobre os riscos de ressecamento dos enxertos; e o trabalho de Ming Lei que faz uma análise da extração inválida.
Também mostra a clara superioridade dos implanters sobre o uso de pinças, em desuso pela maioria dos especialistas.
Cita corretamente a preservação da UFs em temperatura ambiente (como provado em trabalhos científicos) e não com o resfriamento de 4 graus, defendido por muitos (neste livro) com o argumento de diminuir a atividade metabólica e desta forma melhorar a integração dos enxertos.
Surpreende pela atenção aos detalhes, pelas referências de importantes trabalhos da literatura. Mostra que não apenas os enxertos retirados com sucesso que definem a taxa de sucesso: devemos ficar atentos aos enxertos que não saíram (capping, destruição dos fios).
Observações: Faltou citar a hidden transection. Faltou correlacionar a dissecção inadequada e a força excessiva das pinças para puxar os enxertos, causando dano às UFs. Cita uma classificação, com a qual não concordo, de profundidades de menos de 2 mm, 2 a 3 mm e acima de 3 mm. Em taxa de extração inválidas, cita um autor que considera perdas de 15% como excelentes. Para casos difíceis, realmente uma boa média, mas para casos fáceis, inaceitável.
Capítulo 3. Hairline na Arte do Transplante Capilar. Antonio Ruston. Leitura obrigatória.
Sem dúvida, saber reconstruir a linha anterior (hairline) é uma das etapas mais importantes de transplante capilar. Descreve também a importância das micro e macro irregularidades. Destaca-se a necessidade de imitar a natureza, ao contrário do que muitos oferecem quando fazem implantação de altíssima densidade, com unidades de 2 ou mais fios muito anteriormente. Usar exclusivamente UFs de um fio e acrescentar fios finíssimos obtidos em regiões específicas da área doadora é outro ponto importante.
Um assunto tão importante merecia um detalhamento de detalhes igualmente relevantes, que não são citados neste capítulo: não fala dos pontos utilizados para o desenho da linha anterior, nem descreve como definir sua posição. Não descreve o ponto temporal, nem como se desenha a linha temporal (que faz parte da hairline). Não descreve os diferentes formatos da hairline, no homem e na mulher (reta, convexa, triangular, côncava, em m, retangular, etc). Não fala da seleção de UFs para regiões específicas como por exemplo a tufo área (topetes). Não fala da importância das maneiras de fazer incisões (densidade, ângulo, direção) nem da colocação das UFs nessa região.
Capítulo 4. Planejamento Cirúrgico e Classificações da Calvície. Felipe Pittella.
O autor mostra as diversas classificações da calvície. Haver tantas classificações mostra que nenhuma delas é aceita universalmente. Do ponto de vista prático, no final das contas, tem valor mais acadêmico do que realmente prático. A escala “PRECISE”, por outro lado, tem um lado muito prático pois relaciona ao grau de calvície à área que será transplantada, facilitando a previsão de número de UFs necessárias. O problema dessa classificação é que a área que será transplantada vai variar com o entendimento de cada médico (e isso vai variar muito) sobre suas dimensões. Cada médico vai propor uma área diferente pois sua definição depende da expertise do médico, da área doadora disponível, do tipo de fio de cabelo, do contraste de cor entre o fio e a pele, entre vários outros fatores.
A proposta de UF necessária para cobertura da área calva não leva em conta a real capacidade de doação do paciente porque ninguém sabe exatamente como vai evoluir a calvície ao longo dos anos, qual será a resposta ao tratamento clínico, etc. Qualquer palpite sobre o número de UFs necessárias é um mero palpite.
Pontos de discordância: sistemas que definem o número de fios de cabelo que podem ser retirados na área doadora assim como o número de fios que podem e devem ser transplantados para a área receptora são questionáveis. A calvície androgenética é progressiva e essas medidas levam em conta apenas a condição atual. Além disso, não levam em consideração o tipo de cabelo (liso crespo ondulado, outros), o contraste de cor entre o cabelo e a pele, se o paciente faz ou não tratamento clínico, a idade do paciente, sua capacidade de doar cabelo longo prazo, como o paciente penteia o cabelo, entre outros fatores. O que funciona para alguns pacientes, não faz o menor sentido para outros. Os resultados no longo prazo mostram que previsões podem dar errado.
Certamente essas estratégias funcionam como uma boa ferramenta de marketing, que impressiona os pacientes. Mas o cirurgião deve ficar atento para utilizá-las com sabedoria e com muito cuidado.
Capítulo 5. Classificação da Calvície e Área Doadora Segura. Antônio Flávio Queirós de Oliveira.
O autor cita as diversas classificações da calvície do homem, da mulher, e na região temporal e aponta a vantagem de preferir a mais aceita pela maioria dos colegas mundo afora: Hamilton – Norwood. Também mostra as diferentes maneiras de definir a área doadora segura. Faltou mencionar que muitos autores defendem que não existe área doadora segura e sim área doadora “mais segura".
Cita a importante estratégia de colocar fios das áreas não seguras em regiões específicas para não comprometer o resultado no longo prazo. Mostra a importância de retirar UFs de forma homogeneamente, com menos sequelas do que a retirada de um número menor de UFs mas de forma muito concentrada.
Faz um comentário muito importante, mas ignorado por muitos médicos sobre a necessidade de explicar ao paciente sobre as consequências das suas escolhas. O médico não deve ser apenas um executor dos desejos do paciente, e sim alguém o orienta e dá as diversas opções com vantagens e desvantagens.
Mostra que a definição de área doadora segura é relativa e difícil ou mesmo impossível de definir devido à evolução imprevisível da calvície androgenética. Cita a estratégia de usar fios de cabelo de áreas não seguras para regiões específicas e garantir resultados aceitáveis no longo prazo.
Cita a importância de detalhe frequentemente ignorado de retirar fios de da área doadora com uma transição irregular para que não seja facilmente identificada a separação da área doadora e as regiões adjacentes.
Capítulo 6. Valor de Cobertura e fatores para escolher a densidade. Alan Wells.
Enquanto muitos, incorretamente, buscam densidades próximas a normal (muito altas) e gastam desnecessariamente preciosos fios de cabelo, o autor fala de um importantíssimo conceito: a densidade cosmética. Altíssimas densidades são na verdade prejudiciais pois o excesso de incisões leva a morte de vários fios transplantados em decorrência da redução do suprimento sanguíneo. Também desperdiçam um cabelo que seria necessário no futuro, inviabilizando novas sessões por esgotamento da área doadora. Enfatiza corretamente que não há densidade ideal para todos os casos. Em outros capítulos os autores defendem (erradamente, na minha opinião) altíssimas densidades. O fazem por diferentes razões: para satisfazer o paciente, por pressão da mídia, por desconhecimento técnico das consequências, para mostrar sua capacidade de retirar e colocar números altíssimos de UF numa única sessão.
Cita “bons resultados “em casos com 60 UFs por cm2. Isso é possível em alguns casos muito favoráveis, mas (na minha opinião) densidades tão altas levam a um aumento exponencial de complicações e provável esgotamento desnecessário da área doadora. Além disso, a densidade “cosmética” (como o próprio autor cita) permite ótimos resultados com densidades menores.
Comenta que incisões menores permitem densidades maiores. Mas não comenta que incisões menores requerem, obrigatoriamente, enxertos menores. (dezenas de trabalhos já demonstraram a superioridade dos Chubb grafts -enxertos “gordinhos” sobre os skinny grafts -enxertos “magrinhos”).
A contradição está em afirmar de forma clara que altas densidades diminuem a “pega” dos enxertos (concordo), mas ao mesmo tempo defende a altíssima densidade (50 UFs por cm2!) colocando mais de 5 mil enxertos numa área muito pequena! Defende uma redução de densidade da região mais anterior em relação às regiões mais posteriores (questionável).
Capítulo 7. De Quantas Sessões o Paciente Vai Precisar. Maira Merlotto.
A autora pontua corretamente que o número de sessões para um bom resultado depende de vários fatores (relação área doadora/área receptora, idade, tipo de cabelo, expectativa do paciente, etc). Também fala do conceito de densidade cosmética. Cita diferentes métodos para definir o tamanho da área receptora e da área doadora e pontua que avaliação deve ser individualizada.
Afirma que dados recentes confirmam que altíssimas densidades permitem resultados positivos, mas faz um alerta para se evitar o overharvesting.
Capítulo 8. Princípios sobre anestesia. Gustavo Martins. Leitura obrigatória.
O autor fala com propriedade sobre os diferentes tipos de anestésicos, vantagens e desvantagens, riscos, dose tóxica, diluição, como tratar casos de intoxicação. Também descreve como fazer os bloqueios regionais.
Capítulo 11. Ergonomia na Cirurgia. Jae Hyun Park. Leitura obrigatória.
O autor fala da importância da ergonomia no transplante capilar. Como tive a oportunidade de visitar sua clínica e assisti-lo operando, pude ver pessoalmente os conceitos que defende. Mostra o desgaste do cirurgião que opera o paciente em posição deitada (de bruços e de lado), quando usa uma lupa tradicional. A popularização de lupas ergonômicas (não citada no Capítulo), que permitem uma posição mais relaxada do médico, tem resolvido parte do desconforto durante e após a cirurgia. Defende que o paciente fique sentado e para isto desenvolveu equipamentos específicos (cadeira com apoio para a cabeça do paciente) para esta finalidade. A dificuldade e o custo de importação desses equipamentos desenvolvidos para essa finalidade podem ser uma barreira para quem quiser seguir essa maneira de operar.
Capítulo 12. Ergonomia visual e lupas. Gustavo Martins. Leitura obrigatória.
O autor fala da importância da ergonomia para melhor fluidez da cirurgia capilar. Como a maioria dos colegas opera com o paciente deitado e cita as vantagens de usar lupas ergonômicas. Leitura recomendável para quem quer comprar sua primeira lupa.
Capítulo 13. Técnica FUE Manual. Como Eu Faço? Emorane Lupanzula.
O autor descreve detalhadamente a técnica manual sem aparelhos motorizado. Essa técnica pioneira da técnica FUE permite ótimos resultados nas mãos experientes de alguns colegas, mas a procura por sessões cada vez maiores tem tornado essa opção cada vez menos popular em todo o mundo. Além de mais lenta, em teoria também pode acarretar maior desgaste físico do cirurgião (risco de LER). Destaque para a maneira simples e eficiente de dividir a área doadora (ver quadro 1). Também descreve corretamente os erros mais comuns dos iniciantes.
Pontos de discordância:
1. Usa punchs de 0,85 e 0,9 mm. Afirma que punchs maiores comprometem a área doadora (muito finos na minha opinião);
2. Profundidade da dissecção de 2 a 3 mm (muito superficial na maioria da vezes, na minha opinião);
3. Resfria enxertos a 4 graus (discutível);
4. Incisões com agulha 20g para singles e 19 g para enxertos com 2 a 4 fios (incisões muito grandes, na minha opinião);
5. Incisões com 15 a 20 graus (normalmente não são tão agudos);
6. Defende que todo cirurgião deve dominar a técnica manual (pessoalmente não acho necessário).
Capítulo 14. FUE Robótico. João Pedro Pereira.
O autor fala da técnica FUE com o Robô Artas. Tive a oportunidade de ver o Robô Artas funcionando na clínica do Dr James Harris. Também visitei colegas que tiveram este equipamento e desistiram de utilizá-lo devido a diversas desvantagens (William Rassman, Bessan Farjo, Nilofer Farjo, Arthur Tykocinski). Os autores descrevem detalhadamente o uso do equipamento de forma equilibrada e apontam algumas vantagens da técnica.
Opinião pessoal: a grande vantagem da cirurgia com robô é diminuir o cansaço do médico. Mas enxergo muitas desvantagens:
1) A dissecção do aparelho é retilínea, inadequada para cabelo ondulado ou crespo. Compensa essa deficiência técnica com punchs de calibre maior do que aquele utilizado com FUE manual motorizado.
2) Incapaz de retirar UFs muito anguladas, diminuindo a área que pode ser abordada na cirurgia.
3) Custo muito alto para o médico, e consequentemente para o paciente. Custo para aquisição e manutenção do equipamento.
4) Requer uma equipe altamente treinada para seu uso. A rotatividade de funcionários pode inviabilizar a prática profissional.
5) Equipamento obriga que todas as cirurgias sejam obrigatoriamente realizadas no mesmo local. Não há opção de operar num hospital, caso necessário.
6) Não há back-up. Caso o aparelho esteja inoperante, a cirurgia obrigatoriamente será suspensa.
7) Desconforto da posição para o paciente.
Certamente há potencial para melhorias do sistema e possibilidade de se tornar um padrão de excelência no futuro.
Capítulo 15: Grandes Reconstruções. Sergio Luiz Câmara Lopes Júnior.
O autor escreve sobre cirurgias com números altíssimos de enxertos. Concordo com alguns pontos destacados:
1. Cuidado com pacientes com doenças prévias que podem comprometer o resultado das cirurgias
2. Prioriza a densidade do lado dominante do paciente
3. Alerta para o risco da alta densidade causar dor e sofrimento vascular pontual.
4. O alto contraste de cor entre a pele e o couro cabeludo torna necessário aumentar a densidade de fios transplantados
5. A terapia hiperbárica pode diminuir o chock loss.
Discordo de alguns pontos:
1. Cita ser necessário, em alguns casos, quinze mil UFs para um resultado satisfatório (!). Minha experiência mostra que número muito menores são suficientes.
2. Recomenda em alguns casos 7 a 9 mil enxertos num único dia ou 12 mil em dias consecutivos.
3. Afirma que implanter afiado permite maior densidade do que o não afiado (?!). Não procede.
4. Recomenda punchs com diâmetro inferior a 9 mm para cirurgias com mais de 6000 enxertos.
5. Implanter afiado minimiza o trauma da cirurgia (?!).
6. São necessárias dez pessoas na sala operatória: dois médicos e oito instrumentadoras.
7. Paciente deve ter um cuidado adicional durante o sono para não deslocar os enxertos (!?).
Capítulo 16. Técnica F1Max Para Tratamento de Calvícies Extensas. Gabriel Facchini.
O autor apresenta sua estratégia para cirurgias de transplante capilar, o que denominou “Tecnica F1Max”.
Sua proposta é oferecer cirurgia de sessão única para benefícios, logísticos e psicológicos para o paciente. Como a calvície androgenética é progressiva, é questionável garantir uma sessão para resolver a calvície no longo prazo.
Define o bom resultado (densidade cosmética cheia) aquele com 50 UFs por centímetro quadrado. Discordo: tenho visto ótimos resultados com densidades muito menores. Altíssima densidade, além de diminuir o suprimento sanguíneo da área receptora, esgota a frequente limitada área doadora no longo prazo. Embora o número de fios transplantados seja um importante fator a ser considerado, o resultado também depende do número de fios existentes, da espessura do cabelo, sua textura lisa ou crespa, contraste de cor, do tratamento clínico associado, entre outros fatores.
Cita, corretamente, que a retirada da área doadora não deve comprometer sua “integridade visual” e que altas densidades podem comprometer a vascularização na área receptora. Também cita que prioriza uma distribuição inteligente das UFs para um melhor impacto visual.
Prioriza punchs com “o menor diâmetro possível, entre 0,7 mm e 0,8 mm”. Discordo: esses punchs criam skinny grafts, enxertos muito finos. A comparação com chubby grafts está descrita na literatura há décadas e mostra uma taxa de integração muito superior dos enxertos mais gordinhos. Afirma que punchs maiores causam fibrose e reduzem a elasticidade da pele da área doadora, comprometendo futuras extrações. Pessoalmente utilizo punchs maiores e não observo qualquer dificuldade adicional de extração em sessões subsequentes.
Afirma que a técnica permite o monitoramento da taxa de transecção em tempo real (!). A seguir diz que a avaliação é feita por meio de observação microscópica de amostras aleatórias: portanto o monitoramento não é feito em tempo real e sim após a extração, além de ser feito por amostragem.
Considera como inovações da técnica apresentada:
1) Punchs afiados (!). Sempre existiram e não vejo isto como uma inovação.
2) Punchs de menor diâmetro. Não se trata de inovação, e sim de estratégia que, na minha opinião, aumenta a taxa de transecção visível e também a hidden transection caso haja divisão in vivo das UFs. Além disso, os enxertos tão esqueléticos têm comprovada pior taxa de integração quando se compara com enxertos mais robustos.
3) “Ajuste dinâmico do tipo de fio”. Não explicou o que é um ajuste dinâmico de uma lâmina de aço.
4) Extratores personalizados usados pela equipe. Não são descritos nem mostrados o que são extratores personalizados.
Apresenta objeções à técnica de incisões prévias por consumirem tempo precioso (o que realmente é uma desvantagem da técnica), e por elevar o risco de necrose isquêmica (!!). Pessoalmente nunca tive necrose decorrente do uso de incisões prévias , nem conheço um único trabalho que faça essa relação.
Afirma que o implanter afiado “evita a criação de múltiplas incisões sem imediata vascularização local” (!). Desconheço qualquer técnica de incisões, seja com implanter afiado ou com qualquer outra técnica que produza “imediata vascularização local”.
Permite redução do popping. Discutível: já vi muito popping em casos de uso de incisões prévias, assim como muito popping em casos do uso de implanter afiado.
Menor sangramento operatório. Muito discutível. Em muitos casos incisões prévias podem levar a menor sangramento, em outros realmente é preferível o implanter afiado. Assim, é recomendável dominar as duas técnicas e optar pela melhor em cada caso.
Observação . São apresentados os resultados de apenas dois pacientes, No segundo caso a qualidade das fotos não é boa e o paciente está em posições completamente diferentes o que não possibilita uma comparação adequada.
Capítulo17. Transplante Capilar Feminino. Sergio Luiz Camara Lopes Junior.
O autor faz uma introdução sobre a importância do cabelo na saúde mental das mulheres. Aponta que além da calvície androgenética a importância para se investigar outras causas como alterações hormonais, metabólicas, alterações da tireoide e deficiência de ferro. Cita os diversos tratamentos clínicos como opção terapêutica.
Cita as diversas opções cirúrgicas possíveis, como FUT, FUE com fio raspado, longo e outras.
Observações ponderadas sobre as desvantagens do FUE Long Hair como a necessidade de punchs maiores, reconhecer uma taxa aumentada de transecções, e aceitar um número menor de enxertos devido à maior dificuldade para extração folicular. Mostra que o benefício da técnica ainda está muito limitado devido ao shedding que ocorre na maioria dos casos após algumas semanas de pós-operatório.
Mostra um planejamento detalhado que inclui o desenho da hairline e a sequência para extração folicular da área doadora. Aponta a vantagem dos implanters afiados, considerando que normalmente não há qualquer raspagem do cabelo da área receptora em mulheres. Cita o risco aumentado de Shock loss em mulheres, o que fala contra cirurgias com números muitos grandes de enxertos.
Único ponto discutível é, na minha opinião, preferir punchs com diâmetros inferiores a 9 mm.
Capítulo 18. Transplante Capilar em Pacientes Afrodescendentes. Marta Zollinger Leitura obrigatória.
A autora faz um detalhado histórico a respeito do transplante capilar em pacientes negros. Era rejeitado na técnica FUT devido ao risco de queloide e eram rejeitados na técnica FUE devido à grande dificuldade técnica para a extração dos enxertos.
Mostra um interessante quadro (1) com características do cabelo do paciente afrodescendente. Igualmente importante é a figura um com os diversos tipos de cabelo.
O quadro três mostra pontuação para o tipo de pele e couro cabeludo. Importante! Mostra diferenças anatômica na linha anterior dos negros em relação aos caucasianos.
Divide a área doadora em quadrantes de 4 cm² para calcular o número exato de enxertos por região
Afirma que com o aparelho Zeus a taxa de transecção é inferior a 10 por cento, que realmente são números satisfatórios considerando a dificuldade desse tipo de cabelo.
Importante: usa punchs corretamente com diâmetro 18 Gauge (1,25 mm de diâmetro) nos casos mais difíceis e 19 Gauge (1.10 mm) nos casos mais fáceis.
Discutível: resfria os enxertos a 4°.
Importante: a densidade ideal no cabelo afro é 30 por cento menor em relação ao cabelo liso.
No pós-operatório, devido ao excesso de oleosidade recomenda lavar o cabelo duas vezes ao dia com clorexidina, pois esses pacientes têm maior incidência de foliculite.
Mostra resultados muito bons. Capítulo é leitura obrigatória para quem tiver casos de cabelo afro.
Capítulo 19. Pele Normal Versus Pele Hiperelástica: Como Conduzir. Igor Azevedo Bottura. Leitura obrigatória
Pele elástica é um assunto pouco abordado, mas muito importante. Cita trabalho do Roberto Trivellini sobre as forças mecânicas e a dinâmica dos tecidos para a remoção de enxerto saudáveis.
Peles com muitas fibras de latina são mais elásticas, enquanto peles com muitas fibras de colágeno são mais duras. O excesso de elasticidade pode dificultar a extração!
A firmeza do couro cabeludo pode ser avaliada no pré-operatório se linhas deprimidas como sucos se formarem ao se fazer a manobra de pensamento com os dedos. O couro cabeludo muito elástico representa risco elevado de trauma folicular como transecção ou decapitação.
Muito importante: nesses casos de pele muito elástica deve-se manter a pele esticada e tencionada. A anestesia tumescente e a tração manual são importantes. Importante: a oscilação reduz o risco de torção e é melhor do que a rotação, por isso é importante usar um aparelho multifásico, com rotação no início e oscilação a seguir.
Discutível: recomenda punchs menos cortantes para peles muito elásticas.
Capítulo 20 FUE No Shave. Baltazar Dias Sanabria. Leitura obrigatória.
O autor mostra a vantagem de não raspar a cabeça do paciente, opção muito procurada por boa parte dos pacientes. Destaca que é uma opção para calvícies não muito grandes e com números inferiores a 4.500 enxertos.
Recomenda cortar um número maior de fios que serão utilizados na cirurgia. São necessárias duas horas, com duas pessoas que utilizam lupa e fotóforo.
Após o corte dos fios de cabelo, lava a cabeça com solução de clorexidina degermante. Durante a cirurgia usa a técnica do velcro para facilitar a visualização dos fios cortados. Faz a extração com punchs de 9 mm e 0,95 mm (pessoalmente prefiro diâmetros maiores).
Discutível: retira o excesso de epiderme dos enxertos, para ter menos crostas no pós-operatório e para conseguir maior densidade.
Coloca 800 a 1000 enxertos por hora, com implanter afiado.
Importante: alerta para um aumento de 2h00 na cirurgia quando se compara com a técnica de fio raspado.
Capítulo 21. Fue Com Fio Longo. Otávio Boaventura. Leitura obrigatória.
O autor afirma que a técnica do fio longo é indicada para pacientes que não desejam ou não podem raspar os cabelos. Comentário: Esta afirmação causa muita confusão entre os pacientes que entendem que somente com o fio longo não se raspa a cabeça. Na verdade, também não é necessário raspar a cabeça com a técnica FUE no shave, que não é uma técnica de fio longo. Raspa-se apenas parcialmente a área doadora com o corte tipo militar e com a raspagem em faixas.
Destaca que essa técnica é muito difícil em pacientes com cabelo muito crespo ou descendentes de africanos (concordo). Para estes recomenda a técnica raspada! Importante. Também deve ter cuidado redobrado com pacientes que já fizeram a técnica FUE.
Discutível: afirma que na técnica FUE de fio longo é possível ver o resultado imediato. Não é exatamente o mesmo resultado porque ao final da operação e nos dias subsequentes existem as crostas que mudam significativamente o resultado final. Nem todos os fios transplantados nascem. Além disso, o comprimento do cabelo transplantado frequentemente não corresponde ao comprimento do cabelo que o paciente vai usar.
Divide a área doadora em quadrantes para uma retirada homogênea.
Destaca que a vasoconstrição é importante porque nesta técnica a cirurgia é mais difícil. Importante. O comprimento das UFs varia nas diferentes regiões. Nessa técnica é ainda mais importante que o enxerto fique fácil de ser retirado da área doadora.
IMPORTANTE: prefere incisões prévias porque a cirurgia é mais trabalhosa e assim pode delegar a colocação para outra pessoa. Além disso, como a cirurgia fica mais longa, dessa forma o enxerto fica menos tempo fora do corpo. A cada área retirada os enxertos já são implantados para evitar muito tempo fora do corpo.
No final da cirurgia prefere usar o implanter afiado para ajustes na hairline.
Inscrições prévias com lâminas pré-fabricadas 0.7 a 0.9.
Concordo: prefere incisões sagitais para alisar menos os fios nativos. Importante. Se não houver fios nativos, prefere incisões coronéis na hairline.
Interessante: prefere água destilada em detrimento do soro fisiológico para pentear o cabelo.
Destaca a importância de implantar primeiro os fios mais anteriores.
Importante: próximo ao final da operação examina o paciente de frente para ver o resultado parcial.
Secar o cabelo com secador frio e pentear com movimento suave. Importante. Retirar sangue para evitar formação de crostas.
Capítulo 22. Megassessões em FUE Long Hair. Renan Brigante.
O autor afirma que com o fio longo conseguimos um resultado “mais natural e avaliação mais precisa da direção, ângulo, curvatura e densidade”. Discordo: com o fio longo ou raspado inexiste qualquer diferença nesses quesitos. A vantagem está, sim, em camuflar melhor os sinais de cirurgia recente e supostamente prever o resultado final (ver observação a respeito em outros capítulos).
Recomenda uso de dois microscópios estereoscópicos para a seleção lapidação dos enxertos (discutível: assistentes com lupas de 5X e 6X são opções equivalentes).
Discutível: recomenda “seis” instrumentadoras auxiliares.
Discutível: recomenda botas pneumáticas e meias elásticas para reduzir risco de trombose. Se o paciente não tiver risco aumentado e se não ficar imobilizado por várias horas, esses cuidados são desnecessários.
Recomenda sedação intravenosa por permitir uma anestesia mais rápida. (Concordo, se o procedimento for realizado em ambiente hospitalar adequado).
Na área receptora faz decisões coronais com micro lâminas de 0,65 mm, e na área doadora faz extração com punch de 0,95 mm. Na área receptora coloca os enxertos com implanter de 0,64 mm e 0,8 mm. Faz sentido usar implanter de 0,64 mm nos orifícios de 0,65mm mas não entendo como é possível colocar enxertos obtidos com punch de 0,95 com implanter de 0,8 mm (!).
Importante: o tempo de extração é de 4horas a 4 horas e 30 minutos. Não cita quantos enxertos são retirados nesse período (embora mostre dois resultados com 3100 e 3300 UFs).
Duas instrumentadoras colocam os enxertos e quatro instrumentadoras carregam os implanters.
Mostra o resultado imediato, mas não mostra o resultado tardio para comparação.
Capítulo 23. Classificação Morfológica da Barba. Solon Eduardo. Leitura obrigatória.
A importância deste capítulo pode ser medida pela repercussão que teve ao ser publicada na capa da Revista FORUM, da ISHRS em 2024 e pelo prêmio de melhor trabalho apresentado no 9º congresso da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC),
Apresenta uma análise abrangente da distribuição dos pelos em sub-regiões anatômicas da face sob os aspectos evolutivo, genético, fisiológico e cirúrgico, além de discorrer sobre as diferenças estruturais entre os pelos da barba e os do couro cabeludo.
Propõe uma classificação morfológica da barba facial que ajuda no planejamento cirúrgico de transplantes de barba.
Capítulo 24. Transplante de barba. Ito Meirelles Filho. Leitura obrigatória.
Uma barba cerrada pode ter 10 a 30.000 fios. A maioria dos pacientes têm entre 25 e 30 anos de idade. Destaca a importância de verificar aspectos psicológicos, histórico de calvície na família e capacidade de área doadora. ?Pode ser necessário usar 3200 enxertos. Verifica se não há tendência à calvície: destaca a importância de fazer a tricoscopia do couro cabeludo. *
Paciente ideal não tem histórico familiar de queda de cabelo, não tem miniaturização de cabelo na área doadora e tem uma área doadora densa
Importante: prefere a área doadora do couro cabeludo por ter uma extração mais fácil e ter mais fios de cabelo disponíveis. Questionável: os fios do pescoço são idênticos àqueles da barba facial. Pacientes inclusive tem o benefício de retirar fios que quase sempre são mantidos raspados. Além disso, não compromete a área doadora do couro cabeludo em eventual calvície androgenética.
Defende que a manutenção dos pelos do pescoço garante maior naturalidade no resultado e evita o risco de cicatrizes inestéticas no pescoço. Questionável: na minha prática nenhum paciente se queixou da aparência das cicatrizes no pescoço, embora alguns tenham foliculites incômodas durante alguns meses no pós-operatório.
Importante: não recomenda fios corporais pela diferença estética dos fios, por crescerem pouco, pelas cicatrizes ficarem invisíveis na área doadora e pela dificuldade de manter o ângulo correto dos pelos na barba.
Destaque: apenas 6h00 de cirurgia para sessões com 2800 a 3200 enxertos com densidade de 30 enxertos por centímetro quadrado.
Prefere a anestesia local com sedação venosa. Importante: prefere seringa de 1CC para diminuir o volume de anestésico e aumentar a segurança da cirurgia. Faz a marcação de macro irregularidades diferentes para dar mais naturalidade.
Recomenda punchs de 0,85 mm até 0,9 mm no couro cabeludo e rotação na velocidade máxima. Questionável: pessoalmente recomendo punchs com diâmetro maior no couro cabeludo e utilizo oscilação ou roto-oscilação de baixa velocidade, nunca rotação.
Considera o ângulo ideal para cada região da barba: 30 a 45° para o bigode, 20° para bochecha e costeleta e 45 a 90° para a região do mento.
Usa implanter de 0,64 mm para enxertos de um fio, 0,8 mm para enxertos de dois fios, e 1 mm para enxertos de 3 e 4 fios.
Somente enxertos de um fio de cabelo nas macro irregularidades. 10 a 15 enxertos de fio para cada triângulo.
Usa Nebacetin na área doadora e cobre com compressa estéril na região frontal com micropore.
Prescreve antibiótico de rotina por sete dias. Recomenda Minoxidil diário no pós-operatório durante quatro meses. Paciente retorna no dia seguinte para retirar o curativo. Faz drenagem linfática cervical e terapia de luz com Hygialux.
Usa compressa gelada no rosto cinco vezes ao dia na primeira semana. (questionável).
Libera o paciente para esportes apenas um mês após a operação. Pessoalmente libero o paciente para musculação após dois dias. Outro esporte em uma a duas semanas.
Após três meses ainda recomenda uso de bloqueador solar. Pessoalmente recomendo por apenas um mês.
Autoriza raspar a barba com Gilette somente após seis meses de cirurgia. Libero raspar a barba após um mês. Mas a maioria dos pacientes não quer raspar a barba.
Complicações:
Alerta para evitar lesão dos nervos e do dúcto parotideo.
Cistos são pouco frequentes, geralmente após o terceiro mês. Se necessário dá antibiótico. Granuloma: aparece após o quinto mês
Capítulo 25 - Body Hair Transplant (BHT). Transplante de Pelos Corporais. Gustavo Martins.
O autor destaca que pelo corporal é uma opção quando não há cabelo disponível. Mas pode ser a primeira opção em casos específicos. Exemplo: quando você precisa de fios da barba para a própria barba.
Afirma que pelos do tórax e pernas são opção viável e eficiente nos dias de hoje. (questionável: somente em casos excepcionais dão resultado satisfatório)
Diz que os fios corporais têm uma fase anágena mais curta e isto exige um planejamento cuidadoso para garantir resultados harmoniosos e duradouros.
Interessante: se o fio de sobrancelha cresce 0,15 mm por dia, ele cresce 1 mm e meio a cada 10 dias e portanto 0,45 cm por mês. isto significa menos da metade da velocidade de crescimento do fio de cabelo do couro cabeludo. O quadro dois é muito interessante.
O autor descreve o tempo de fase anágena dos fios de cada região do corpo e a velocidade de crescimento.
Importante: Ideal é ter muitos pelos corporais longos e devemos alinhar expectativas com o paciente. (Não se deve esperar resultados muito bons).
Fala em utilizar pelos corporais para preservar folículos do couro cabeludo para o futuro (Questionável).
Afirma que os resultados com pelos corporais são altamente satisfatórios, naturais e consistentes, (Questionável: na minha experiência resultados são bastante pobres, exceto com fios da barba)
Relata uma densidade de fios no tórax de 22 UF por centímetro quadrado.
Destaca que a extração de pelo corporal demora muito mais do que do couro cabeludo e que fios com ângulo agudo e curvo são particularmente mais difíceis de serem retirados. Usa usa punch com 0,6 a 1 mm de diâmetro. Depende da região. Cita que a taxa de sobrevivência dos enxertos varia muito em relação à área doadora. Afirma que fios de barba e de tórax apresentam melhores resultados.
Recomenda o uso de minoxidil tópico cinco por cento por dois a seis meses antes da cirurgia e raspar a área doadora uma semana antes da operação.
Alerta que o uso de pelo corporal exige habilidade e experiência e seu uso indiscriminado pode levar a resultados insatisfatórios e frustração.
Observação: senti falta de fotografia do tórax antes da cirurgia e após o resultado final. Mostra fotos de resultados mas não explica qual foi a porcentagem de fios corporais em relação aos fios de couro cabeludo. Também não cita quantos enxertos foram utilizados.
Capítulo 26. Transplante de Sobrancelhas. Rene Rodrigues. Leitura obrigatória.
O autor faz uma descrição da anatomia muito completa.
Observação: enquanto no Capítulo de pelo corporal afirma-se que a fase anágena do pelo da sobrancelha é de quatro a oito semanas, neste Capítulo está descrito duas a quatro semanas.
Importante: no Capítulo de pelo corporal não se fala no tempo de fase telógena, enquanto neste Capítulo o autor afirma que a fase de lógica tem dois a três meses.
Interessante: quadro mostra diversas doenças que causam madurose.
Enfatiza a importância da avaliação pré-operatória para um diagnóstico correto. Considera a opção de biópsia em casos de dúvida quanto ao diagnóstico. Cita causas de contraindicação relativa de transplante de sobrancelha.
Interessante: oferece o transplante de sobrancelha mesmo em casos de contraindicação relativa, desde que o paciente entenda os riscos de insucesso. “As vantagens podem superar as desvantagens “
Muito importante: cicatrizes prévias tatuagens e micro pigmentação podem influenciar na sobrevivência dos enxertos. Cem por cento desses pacientes precisará de uma segunda cirurgia. Isto deve ser avisado antes da cirurgia.
Como área doadora preferencial destaca a região occipital mais baixa onde há muitos UFs de apenas um fio: isto vai evitar a manipulação dos enxertos.
Alerta para pacientes que pedem desenhos bizarros. Alerta para evitar operar esses casos.
Define a posição dos pontos essenciais na sobrancelha, mas destaca que a visão estética e artística do cirurgião deve ser considerada.
Ao final da marcação, recomenda utilizar um paquímetro para confirmar a simetria. Observação: as sobrancelhas nem sempre são simétricas ou idênticas.
Observação: Achei difícil entender a descrição da marcação dos pontos e linhas sem assistir a um vídeo.
Importante: o desenho da sobrancelha é uma das etapas mais demoradas e importantes da cirurgia. Após fazer o desenho é necessário calcular o número de enxertos necessários para um bom resultado. O ideal é de 40 a 50 enxertos por centímetro quadrado. A densidade será menor se houver cicatrizes prévias.
Dica importante: deixar o cabelo com cinco a 8 mm de comprimento na área doadora. Usar fio longo somente se o cirurgião tiver muita experiência. A cirurgia é mais difícil.
Recomenda usar UFs de apenas um e de dois fios de cabelo. Recomenda remover a epiderme dos enxertos. Enxertos com um fio de cabelo são colocados na periferia e com dois fios de cabelo ao centro. 60 por cento dos enxertos têm dois fios e 40 por cento tem um fio.
Recomenda a colocação dos enxertos com implanter Lion 0.64 mm e 0,8 mm. É importante saber carregar o implanter corretamente. Importante: as incisões devem ter menos de 30°.
Capítulo 27. Transplante de Cílios. Hudson Lázaro.
O autor afirma que fez os dois primeiros casos de transplantes de cílios no Brasil em 2017. Discordo: Dr. Gandelman já realizava essa cirurgia desde a década de 90. Apresentou seu trabalho no congresso da ISHRS em Dallas (1993) e publicou na Revista Forum e no livro Hair Transplantation de Walter Unger.
Afirma que os fios dos cílios tem 0,25 micrômetros de diâmetro., como os fios de cabelo (!)) Discordo: fios de cabelo do couro cabeludo tem geralmente 50 a 90 micrômetros de diâmetro (!)
Interessante: afirma que diariamente cai um fio. Cada olho tem 200 cílios.
Discutível: O período anágena é de 90 a 150 dias, mas no Capítulo sobre pelos corporais afirma-se que a fase anágena tem 30 a 45 dias.
Alerta: colagem de fios sintéticos podem causar inflamações, conjuntivites, trauma na conjuntiva coceira ardência e irritação. Como consequência pode haver ulceração severa, derrame ocular, comprometimento da visão e necessidade de transplante de córnea.
Relata a possibilidade de aumentar o comprimento dos cílios com uso de colírios, mas alerta para o risco de causarem olheiras por hiperpigmentação.
Importante: é necessário esperar seis a 12 meses para ter certeza de que a lesão do cílios foi permanente. Pode haver recuperação. Se não houver, o transplante de cílios está indicado.
Importante: avisar o paciente que será necessário aparar os fios a cada quatro semanas, além de deixá-los curvos artificialmente.
Alerta para uso de fios muito crespos.
Importante: cuidado com pacientes com tricotilomania pois podem arrancar os fios posteriormente.
Importante: na pálpebra superior os fios são direcionados para cima e na inferior são direcionados para baixo. Desta forma os fios não crescerão em direção à córnea.
Importante: avisar o paciente que pode ser necessário dois ou mais procedimentos.
Observação: o autor não mostra como coloca o enxerto usando uma agulha. Só mostra quando usa com o implanter.
Capítulo 28. Transplante Capilar no Vértex. Janaína Vieira.
A autora mostra a classificação de Ziering sobre redemoinho na coroa. Alerta sobre a dificuldade de preenchimento total da coroa num único procedimento.
Afirma que para ter uma boa densidade é necessário colocar o maior número possível de UFs. Questionável: nem sempre o que é possível é o que é recomendável.
Afirma que pode ser necessário criar zonas de redemoinho se não houver nenhum cabelo remanescente.
Afirma que o resultado na coroa leva 18 meses, diferente do restante da cabeça que leva 12 meses. Discordo: na minha experiência o resultado final ocorre em 9 a 12 meses tanto na coroa quanto nas demais regiões do couro cabeludo.
Afirma que as incisões na coroa devem ser feitas nos óstios antigos, pois isto aumentaria a velocidade de implantação, a densidade e diminuiria o popping. Discordo: não vejo relação ou vantagem em incisar óstios antigos.
Relata que o redemoinho único ocorre em 90 por cento dos casos. Localizados à direita em 80 por cento dos pacientes, com anulação no sentido horário. Isto parece estar relacionado à predominância destra ou canhota do portador.
Prefere o uso de implante afiado na coroa, apesar do uso de pinças ter resultados semelhantes e menor custo. Discordo: na minha opinião pinças não devem ser usadas para colocação de enxertos da técnica FUE devido a fragilidades em relação a enxertos da técnica FUT.
Destaca que a região da coroa recebe muita luz e que o corte de cabelo deve ser feito pensando em bloquear essa luminosidade.
Discutível: afirma ser necessário 3500 a 4000 enxertos para tratar satisfatoriamente à coroa.
Interessante: usa canetas de marcação com cores diferentes para definir áreas com densidade diferentes. Observação: pessoalmente prefiro fazer uma tatuagem com azul metileno
Importante: recomenda a maior densidade no centro da coroa, com as melhores UFs nesse local.
Afirma que cabelo liso deve ser armazenado em temperatura ambiente mas cabelo crespo em temperatura de 4 °C. Desconheço essa recomendação.
Capítulo 29. Transplante Capilar Reparador. Gustavo Martins
Destaca que a técnica de perfurações na tábua externa do crânio dá melhores resultados em crianças do que em adultos pois têm uma cicatrização mais rápida. É indicada em pacientes debilitados que não podem ser submetidos a cirurgias mais complexas como o uso de retalhos.
Observação: o paciente das figuras de três a 10 recebeu mais de 4000 enxertos. Não foi dito em quantas sessões, e também não mostrou fotografias intermediárias, o que seria muito importante.
Destaca que em casos de queimadura o uso de expansão é muito indicado. Defeitos de 50 por cento do couro cabeludo podem ter bons resultados. Mostra um excelente resultado nas figuras 11 a 23. Contraindica expansões em crianças com menos de três anos pelo risco de deformação da estrutura óssea.
Importante: mostra que o enxerto de gordura deve preceder algumas reconstruções. Faz um teste para conferir a profundidade do subcutâneo e a necessidade ou não de enxerto de gordura.
Discutível: cita um autor que afirma que 25 por cento dos fios da área doadora podem ser retirados. Considero isso muito variável.
Afirma que os punchs devem ter menos de 1 mm para minimizar a cicatriz e preservar a densidade capilar. Discordo: tenho utilizado punchs com 1 mm, 1,05 e 1,10 mm em casos específicos com o mesmo impacto na densidade capilar.
Capítulo 30. Complicações na FUE. Sidharta Gadelha
Relata as complicações mais frequentes no transplante capilar. Destaque para o quadro que divide os tipos de complicações.
São causas de sangramentos: Aspirina, anticoagulante, anti-inflamatórios, vitamina E, álcool, esteroides anabolizantes.
Mostra a escala de Caprini para mensurar os riscos de TVP.
Recomenda dormir em decúbito dorsal ou em 45° para diminuir o inchaço. Discordo. Paciente pode dormir na posição que desejar. O que evita o inchaço é o uso de antiinflamatório, uso moderado de infiltração intraoperatória e principalmente uma faixa compressiva na testa 24 horas por dia nos primeiros três ou quatro dias.
Cita que para evitar necroses não recomenda mais de 40 incisões por centímetro quadrado.
Afirma que a área mais propensa à necrose está no centro mais à direita. Desconheço essa informação.
Relata que ao identificar uma área de sofrimento programa a extração e inserção de enxertos nas áreas afetadas após 24h00 para melhorar o tempo de repercussão vascular. Não entendi.
Refere uso de nitroglicerina tópica spray zero 4 mg/h até o desaparecimento da lesão escura melhora a repercussão tecidual. Desconheço essa informação.
Em caso de necrose recomenda câmara hiperbárica por cinco dias durante uma hora e meia por dia.
Afirma que o eflúvio no pós-operatório é mais comum em mulheres, e na área doadora. Atribui a retirada excessiva de enxertos na área doadora e doses altas de adrenalina.
Afirma que punchs com mais de 1 mm podem causar depressão na área doadora. Não ocorrem na minha experiência.
Refere tratamento para foliculite com antibióticos orais e ou tópicos, além de compressas mornas. Pessoalmente prefiro a drenagem mecânica
das pústulas e associo antibiótico somente em casos mais graves
Capítulo 31. Extração e Implantação Simultânea. Gustavo Martins.
Cita as perguntas que devem ser feitas para se decidir ou não fazer a colocação simultânea à retirada. Pode ser feito em parte ou durante toda a cirurgia.
Faz incisões prévias com lâminas de 0,6 mm, e 1,1 mm. Considero lâminas de 1,1 mm muito grandes.
Limita o diâmetro do punches a 1 mm. Discordo: em muitos casos indico diâmetros maiores..
Discutível:
Faz o curativo somente na área doadora. Discutível: sempre faço tanto na área doadora quanto na receptora. Embora o curativo na área receptora não seja obrigatório, sua presença evita acidentes involuntários na primeira noite.
Capítulo 32. Pré incisão e uso de implanter. Paulo Lu.
Recomenda o uso de lâmina de Safira de 1,1 mm. Discordo: geralmente uso lâminas de 0,9 mm e excepcionalmente com 1,0 mm.
Relata que o uso de agulhas para incisões é muito vantajoso pelo seu formato, pela padronização do corte e pela precisão.
Faz incisões 1 mm mais superficiais do que o comprimento do folículo.
Discutível.
Afirma que a agulha perde o corte durante a cirurgia. Na minha prática, as agulhas duram toda a cirurgia e não perdem o fio.
Afirma que o uso do implanter obriga um número maior de número de integrantes na equipe”. Discordo: dois médicos e três instrumentadoras são suficientes para as cirurgias maiores.
Afirma que não encontra todos os orifícios e por isso realiza 10 por cento a mais incisões na área receptora. Discordo: com a tintura de azui de metileno conseguimos visualizar 100% das incisões.
Capítulo 33. Implantação com Pinça. Bruno Jacobovski.
Recomenda o uso de lupas com aumento de três a 3,5 vezes. Discordo. O mínimo para uma cirurgia com a técnica FUE é um aumento de 5X.
?Usa um cooler para manter os enxertos frios. Discutível.
?Coloca no máximo 20 a 30 enxertos na luva para evitar a desidratação, ou a metade disso se a instrumentadora for inexperiente.
Observação: alguns médicos fazem decisões coronais ou sagitais para diferenciar o número de fios por enxerto. Comentário: Esta abordagem é útil, mas muito antiga. Fazemos uma tatuagem que divide essas regiões e não é necessário mudar a orientação das incisões.
Discutível: mantém os enxertos 1 mm acima da superfície da pele.
Importante: coloca primeiro os enxertos retirados no início. Para isto possui placas metálicas multi-compartimentadas para esta divisão.
Não recomenda manter os enxertos em temperatura ambiente. Prefere temperaturas entre 2 e 6°. Discutível.
Evitar variações abruptas de temperatura pelo risco de interferir na sobrevivência dos enxertos.
MUITO IMPORTANTE: o autor não menciona o tamanho das decisões na área receptora para a utilização correta das pinças.
Capítulo 34. Consulta e Planejamento Pré operatório. Cleber Stuque.
Interessante: o quadro 4 mostra uma lista de medicamentos que induzem a queda capilar.
Importante: mostrar fotos de resultados bons e não tão bons para que o paciente entenda que os resultados não serão sempre os mesmos.
Capítulo 35. Curativo e Acompanhamento Pós-operatório. Aline da Silva Oliveira.
A autora afirma que o acompanhamento pós-operatório deve ter enfermeiros, técnicos de enfermagem, biomédicas e fisioterapeutas. Discutível.
Afirma que a queda dos enxertos se dá de 15 a 30 dias após o transplante. Comentários: Não são os enxertos que caem e sim os fios. Segundo, não observamos a queda com 15 dias e sim com três a quatro semanas.
Faz uma lavagem com soro fisiológico e sabonete líquido ao final da operação. Lava a seguir com soro fisiológico.
Faz o curativo somente na área doadora.
Usa o Led de cor azul pelas propriedades antibacterianas e anti inflamatórias.
Após uma semana orienta o uso de óleo mineral para facilitar a remoção das crostas.
Indica a associação de Finasterida e Minoxidil somente 30 dias depois da operação.
Prescreve rotineiramente protetores estomacais, como omeprazol por pelo -10 dias após a operação. Questionável .
Recomenda drenagem linfática. Questionável: Recomendo uso de faixa compreensiva: mais fácil, barato e eficiente.
Recomenda musculação encaminhada após cinco a sete dias. Questionável: Dois dias são suficientes.
Recomenda o uso de capacete somente após 15 dias. Questionável: libero após três dias.
Afirma que no pós-operatório sempre haverá inchaço na testa: Questionável: cirurgia na coroa não provoca inchaço na testa.
A região receptora ficará avermelhada por meses: Questionável: muitos não tem qualquer vermelhidão, muito menos por meses.
Haverá perda da sensibilidade na área receptora por quatro meses. Questionável: a perda costuma ser muito mais breve.
Recomenda comida leve com pouco sal no primeiro dia de pós-operatório. Questionável: não há qualquer restrição alimentar no dia seguinte.
Recomenda abstinência à bebida alcoólica por sete dias depois da operação. Questionável: não há restrições.
Recomenda que o paciente mande fotos todos os dias durante 15 dias. E pede para o paciente mandar fotos de três em três dias entre o dia 15 e o dia 30.
Questionável: se não houver situações imprevistas não há necessidade desse acompanhamento diário.
Orienta o paciente a esfregar a área receptora somente depois de 31 dias da cirurgia. Questionável: pode esfregar vigorosamente após 10 a 14 dias.
Capítulo 36. Centro cirúrgico: materiais e legislação. Paulo Miranda. Leitura obrigatória.
O autor cita a legislação que define que o porte do transplante capilar é para estabelecimentos de unidade tipo dois.


